Lembro-me. Lembro-me muito bem, até. Lembro-me do dia em que foste comigo à feira popular. Dois dias antes implorei-te para que viesses. Dizias que não, que os carrosséis eram para crianças! Mas o que éramos nós, senão crianças? Ingénuas e apaixonadas pelo mundo. Éramos crianças que ansiavam a aventura e a adrenalina que, só de olhar para as luzes da feira, se fazia sentir em nós. Acabei por te convencer, e não foi preciso assim tanto. Não chorei nem te fiz cócegas mas tu aceitaste ir comigo. A verdade é que, por mais que ainda agora, quando o recordamos, o negues, estavas «em pulgas» para experimentar aquela nova atracção que tinha chegado à cidade.
Combinamos para a sexta-feira seguinte e às seis em ponto estavas tu já à porta de minha casa. Consegui ver-te chegar pela janela do quarto e apressei-me a descer as escadas. Peguei no meu casaco preferido, dei um beijo repenicado na minha mãe e disse-lhe que estaria em casa dentro de duas horas. Quando abri a porta, tão devagar que quase senti o próprio tempo tocar-me, provoquei um pequeno barulho, causado pelas dobradiças cansadas e cheias de ferrugem, um barulho que te fez olhar imediatamente para trás. E com esse gesto, consegui ver o brilho que trazias nos olhos e que era tão inocente e tão puro. Lancei-te um sorriso que te pescou como um anzol pesca um peixe e tu abraçaste-me e eu senti-me tão segura nos teus braços que sonhei em nunca mais soltar-me deles. Foi o momento mais parecido com a magia que pude experimentar. E esse momento está agora guardado, para eu nunca mais esquecer, na primeira pasta, do primeiro arquivo, da primeira gaveta das minhas memórias.da memória para o papel em 11/11/2008
Vim voltar a ler isto... Esta fantástico! :)
ResponderEliminarAdoro, vou seguir*
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